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22 de
agosto,
sábado
das 10h às 12h
e das 14h30 às 17h30
Programa
Serão trabalhados partes de alguns
dos temas a seguir:
Influências
externas, múltiplas vozes e dissociação
Como uma pessoa em situação
problemática pode ficar submetida simultaneamente a estímulos de
incentivo, desestímulo, dúvida, acolhimento e outras influências?
Essas “vozes” (imagens, percepções, aromas etc) podem corresponder a
pré-juízos, emoções, termos agendados e elementos ideológicos.
Clinicamente, interessa perceber a quais influências a pessoa
confere
maior audição e como isso repercute em sua Estrutura de Pensamento (EP).
Sociedade
industrial e sociedade de serviços
A reflexão investiga até que ponto as pessoas passam a medir a
própria vida, os relacionamentos, o corpo e o valor pessoal segundo
critérios de utilidade, patrimônio, produtividade e sucesso. O risco
é transformar seres humanos em objetos avaliados por uma “régua”
econômica ou funcional.
Porosidades
Porosidade designa o trânsito de elementos entre a pessoa e
pessoas, lugares, atividades ou contextos com os quais ela entra em
contato. Elementos passíveis de migração e de interseção.Certos
encontros podem “hidratar” existencialmente a EP; outros, podem
trazer desconforto. A orientação é observar com prudência quais
elementos são efetivamente aderentes à estrutura singular da pessoa.
Hibridismos,
porosidade reversa e pseudo porosidade
Os hibridismos aparecem quando um mesmo conjunto de elementos
produz efeitos caóticos ou antagônicos. A porosidade reversa refere-se às
situações em que a pessoa está fragilizada e necessita que elementos
favoráveis se movimentem em sua direção; a pseudo porosidade utiliza
o simulacro associado a enganos em imagens, lembranças ou simulações quando o acesso direto não é
possível. O texto recomenda cautela para que esses movimentos não
alimentem construções contraproducentes.
Alteridade,
sociedade dos homens e realidade consensual
A alteridade exige diminuir a própria medida para compreender
por aproximação o
outro segundo o mundo dele. Isso, porém, não elimina a realidade
social e categorial: subjetividade e realidade consensual precisam
dialogar, mesmo quando entram em tensão.
Contraste e
fragmentação existencial
Um modo de contraste surge quando partes da vida ou da própria estrutura
entram em forte oposição; por exemplo, quando aquilo que alguém
afirma acreditar não corresponde ao modo como vive. Consideramos que
tais contrastes não podem ser completamente eliminados, mas podem
ser suavizados.
Oscilar
menos: entendimento, aproximação e ajuste
São apresentados três movimentos: compreender os próprios
paradoxos; aproximar elementos que estão excessivamente separados; e
aprender a ouvir críticas ou acontecimentos com elasticidade,
verificando o que realmente possui fundamento. O objetivo é diminuir
fragmentações e produzir maior coerência existencial.
Temporalidade
diante dos problemas
Algumas pessoas vivem subjetivamente “antes”. A linguagem e os tempos verbais
podem revelar essa localização temporal. Pela Analítica de Linguagem
e pelo enraizamento, procura-se aproximar gradualmente a narrativa
do momento atual, sempre respeitando a capacidade da pessoa de
enfrentar o ocorrido.
O “relógio dos
homens” e o tempo subjetivo
Diferenciamos a temporalidade social (compromissos, prazos,
atrasos, idade, cronologia) da experiência subjetiva do tempo. A
questão clínica não é abolir o relógio, mas perceber o quanto a
pessoa está rigidamente submetida a ele e desenvolver maior
plasticidade.
Anacronismo; acrônico e adimensional
São estudadas formas de deslocamento em relação à temporalidade
comum. Pode-se revisitar conteúdos passados, experimentar
prospectivamente o futuro ou acessar conteúdos que não são vividos
segundo a cronologia habitual. A fluência temporal, sem romper de
modo irresponsável a necessária organização na realidade.
Endereços
existenciais e seletividade
Nem tudo aquilo que chega até uma pessoa necessariamente “tem o
seu endereço”. O trabalho consiste em distinguir o que efetivamente
lhe diz respeito daquilo que foi assumido indevidamente. Essa
seletividade, contudo, não pode significar aceitar apenas o
agradável: é preciso discernimento e educação existencial.
Educação
Existencial e reconhecimento dos endereços
Educação existencial é associada a livros, conversas,
lugares e experiências capazes de enriquecer interiormente a
pessoa. Os predicativos e os dados de semiose ajudam a distinguir
quando uma fala, acontecimento ou cobrança é realmente dirigida a
nós.
Múltiplos
endereços
Há acontecimentos que podem parecer dirigidos a alguém apenas
porque essa pessoa se encontrava no contexto. O estudo propõe
desenvolver maior acuidade para diferenciar aquilo que pertence à
própria trama existencial daquilo que foi recebido
inadvertidamente.
Arrumações
internas: relação entre sensorial e abstrato
Em determinadas pessoas, uma modificação no plano das ideias
pode repercutir na experiência sensorial e o movimento inverso
também pode ocorrer. Antes de utilizar esse trânsito
clinicamente, é necessário verificar se há correspondência, em
quais áreas ela funciona e se o procedimento é eticamente
adequado.
Dissociação
e seu grau adequado
A dissociação é usada como deslocamento do lugar, tempo ou
situação imediata para outros conteúdos existenciais. A
historicidade revela até onde esse movimento pode ir. O limite
busca ser confortável, seguro e respeitoso para o partilhante.
Dados de
Semiose e interpretação da experiência
Percebemos que uma manifestação do outro está propriamente dirigida a nós? A proposta é aprender a
interpretar comportamentos e comunicações sem reduzi-los
precipitadamente, reconhecendo que determinados conteúdos podem
ter origem em outros acontecimentos da historicidade da pessoa.
Ideias
Complexas e trânsito entre abstração e sensorialidade
O trabalho avança para situações em que não é possível modificar
diretamente a realidade concreta, mas pode haver algum movimento
no campo das abstrações. Esse procedimento só é indicado quando
a historicidade demonstra contrapartida entre os dois campos e
quando existem condições éticas para isso.
Aproximação
entre o ideal e o real; Percepcionar como freio
O objetivo não é obrigar a realidade a coincidir com a
idealização, mas produzir aproximações possíveis. O Percepcionar
funciona como instrumento de segurança para que o deslocamento
entre abstração e sensação não se torne excessivo. O princípio
que encerra a reflexão é o respeito ao funcionamento singular da
própria EP.
Autorregulação da Estrutura de Pensamento
Parte-se da pergunta: depois de uma vida inteira constituindo
nossa EP, não deveria ela também trabalhar em nosso favor? O
estudo aprofunda a relação entre elementos sensoriais e
abstratos e a possibilidade de “encartar” uns nos outros, sempre
a partir da Historicidade, dos Exames da EP e dos Submodos.
Cortes de
transversalidade
Certos acontecimentos podem deslocar ou retirar elementos
anteriormente organizados na estrutura. Quando surge uma espécie
de “rejeição” ao procedimento, a recomendação é recuar
imediatamente, evitando insistir no enraizamento. A indicação
clínica deve sempre se apoiar na história da pessoa.
Treino do
trânsito sensorial–abstrato
Um dos exercícios propõe partir do sensorial, caminhar para a
abstração, voltar ao sensorial e novamente chegar às abstrações.
O objetivo é aprender a realizar os movimentos dissociativos de
maneira consciente e segura.
Fontes
distributivas de nutrição existencial
Uma falta afetiva não precisa necessariamente concentrar toda a
vida da pessoa em um único ponto. O caderno sugere observar
outras fontes possíveis de amor, vínculo e nutrição (amizades,
animais, jardins, leituras, passeios e outras experiências) quando isso corresponde à sua estrutura.
Similitudes
Similitudes são elementos diferentes que podem exercer funções
estruturalmente análogas. Se algo traz paz à pessoa, por
exemplo, outros elementos capazes de produzir uma função
semelhante podem ser investigados, sempre conforme sua
historicidade.
Proporcionalidade e Similitudes
Proporcionalidade é apresentada como o dimensionamento subjetivo
das coisas conforme a atenção e os elementos da EP envolvidos. A
similitude permite construir caminhos alternativos quando o
caminho original está bloqueado, sem afirmar que duas
experiências diferentes sejam idênticas.
Bases
Categoriais: elevada, atual e baixa
O patamar existencial é compreendido a partir da vizinhança
estrutural da pessoa. Em patamares mais densos predominariam
relações mais mecânicas; em movimentos para patamares menos
densos, o texto associa maior contato com gratuidade, porosidade
e sentidos existenciais.
Continuidade
dos exercícios e importância do contexto
Os procedimentos não são apresentados como técnicas isoladas.
Precisam de continuidade e, sobretudo, devem vir depois da
Historicidade e do estudo da EP. Os Submodos derivam do
funcionamento singular da pessoa e não devem ser aplicados
indiscriminadamente.
A
experiência da falta
Uma falta pode surgir quando algo de grande importância
existencial não aconteceu e talvez já não possa acontecer da
maneira originalmente desejada. O objetivo não é negar a perda,
mas verificar se outros caminhos podem diminuir o sofrimento ou
abrir possibilidades existenciais.
Proporcionalidade da experiência subjetiva
A dimensão subjetiva de um medo, desejo ou necessidade pode
mudar conforme perspectiva, atenção e distância existencial?
Alterar a proporcionalidade não significa apagar o problema, mas
modificar o espaço que ele ocupa naquele momento.
Uso
cuidadoso das Similitudes
Uma similitude não é equivalência: trata-se de encontrar
propriedades ou funções que façam sentido dentro da
historicidade daquela pessoa. Isso não serve para todos e também
podemos considerar as consequências nas
interseções familiares e relacionais.
Deslocamento
Curto, Deslocamento Longo e Ideias Complexas
Deslocamento curto refere-se ao que está ao alcance dos
sentidos; deslocamento longo, a referências factuais que estão
além desse alcance; Ideias Complexas surgem quando começamos a
derivar abstrações a partir dessas referências. Para trabalhar
similitudes com segurança, exercitamos a sequência: deslocamento
curto → longo → ideias complexas → similitudes.
Porosidades
e Gratuidades em horizonte humanista
A gratuidade é apresentada como aquilo que chega à pessoa sem
lógica de cobrança ou escambo. Arte, beleza, afeto e pequenos
gestos podem ter grande impacto na estrutura. O horizonte
proposto não é uma vida sem sofrimento, mas uma existência mais
preparada para atravessá-lo com sabedoria.
Esquemas
Resolutivos e aposentadoria
A aposentadoria é usada como exemplo para estudar decisões
complexas. São consideradas proposições, opções, ganhos, perdas
e validações, sempre levando em conta que nem todas as pessoas
atribuem primazia ao raciocínio lógico.
Referências
filosóficas e literárias
O encontro retoma autores e escritores (entre eles Ortega y Gasset, Judith Butler, Valter Hugo Mãe, Antonio Cicero,
Alejandro Zambra, Markus Gabriel, Bauman e Lévinas) para
discutir constituição de si, responsabilidade, mundo, relações
humanas, ética e diferentes maneiras de interpretar a
existência.
Estrutura do
Esquema Resolutivo
Diante de uma proposição, são levantadas alternativas, avaliados
seus ganhos e perdas, feita a validação e, finalmente, uma
integração. A resposta não deve ser apenas logicamente coerente:
precisa fazer sentido existencial para aquela pessoa.
Os limites
do raciocínio Uma conclusão racionalmente impecável pode não produzir nenhuma
mudança prática. Emoções, sensações, juízos e outros tópicos da
EP podem exercer maior força do que o raciocínio. Por isso, um
Esquema Resolutivo nunca deve ser tomado isoladamente da malha
intelectiva.
A metáfora
da balança e sua origem econômica
Ganhos e perdas são comparados a pratos de uma balança, mas seres humanos não funcionam como máquinas de
cálculo. A lógica do escambo e da economia teria se expandido
para relações afetivas e existenciais, onde pode se tornar
empobrecedora quando tudo passa a ser contabilizado como troca.
Quando a
própria balança está comprometida
Mesmo um cálculo correto pode fornecer uma resposta ruim se os
critérios utilizados já forem inadequados. Por isso, às vezes é
necessário sair dos elementos inicialmente colocados na
“balança” e observar a Base Categorial e o contexto mais amplo.
Patamares,
quedas existenciais e sustentação
Mudanças intensas podem levar a pessoa a outra “vizinhança
existencial”. Em situações graves, a primeira tarefa não é
resolver toda a vida, mas interromper a queda e encontrar
pequenas fontes concretas de sustentação.
Inversão da
balança e gratidão Propõe-se também calcular aquilo que recebemos
(língua,
cultura, cuidados, conhecimento, vínculos e inúmeras gratuidades
normalmente ignoradas). A gratidão aparece, assim, como uma
ampliação da contabilidade existencial, sem negar as faltas e
sofrimentos reais.
Insatisfações,
balanças e Armadilhas Conceituais
A insatisfação constante pode organizar toda a existência em torno
daquilo que falta. Ao mesmo tempo, uma Armadilha Conceitual
severa não deve ser simplesmente destruída, porque ela pode ter
funções importantes na estrutura. A Historicidade indica o que
pode ser modificado e de que modo.
Matemática
Simbólica como caminho clínico
A Matemática Simbólica permite compreender proporcionalidades
subjetivas diferentes das medidas cartesianas usuais. Seu uso
depende da configuração da pessoa e nunca deve ser imposto; o
partilhante permanece como referência central do procedimento.
Intuição: de
Platão e Descartes a Bergson
As concepções filosóficas de intuição
e, sobretudo a partir de Bergson, os limites da razão
diante de certos fenômenos. Clinicamente, a intuição não deve
ser automaticamente tomada como verdadeira: sua confiabilidade
precisa ser examinada pela historicidade.
Inteligência
Artificial e transformação da sociedade
A IA é apresentada como elemento capaz de alterar relações de
trabalho, dependência, escolha e tomada de decisão. Ela não resolverá automaticamente os problemas humanos,
mas poderá oferecer alternativas e revelar inconsistências em
nossos modelos atuais.
Desafios
existenciais da nova época
Mais disponibilidade, vida on-line, comparação, competitividade,
vigilância e mudanças nas relações podem gerar novos conflitos e
formas de dissociação. As pessoas estão preparadas para o vazio,
para o tempo livre e para transformações rápidas nas identidades e
nos vínculos?
Profilaxia
existencial Como preparação, são indicados discernimento, conversação,
alteridade, leitura, conhecimento e prudência. Clinicamente,
recomenda-se fortalecer os “sistemas imunológicos existenciais”
e agir preventivamente, para que as dificuldades inevitáveis da
vida produzam efeitos menos devastadores.
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